
COMO SERÁ O NOSSO AMOR
Eu sei que um dia o meu amor virá.
Chegará de
mansinho, timidamente, como quem não quer nada.
Sem
alarde, como tênue raio de sol numa manhã brumosa
de inverno.
De
um inverno demasiado cortante e longo.
A
princípio eu nem acreditarei, o que é natural.
Porque
há muito que eu aguardo esse amor, e porque os raios
de sol do inverno, assim como parecem surgir do nada, podem
desaparecer num piscar de olhos, como surgiram.
Ah,
mas nesse dia, especialíssimo dia, a partir dele,
com o meu amor, será diferente.
Ela
estará presente minuto a minuto, aquecendo devagarzinho
o meu coração, desfazendo o gelo com o qual
ele quase se acostumou, dando-me tempo para assimilar a felicidade,
ficando para sempre.
Apenas
um seremos, os dois somados.
Nossas
palavras confraternizarão, em musicalidade festiva.
Nossos
risos, freqüentes, sinceros, alegrarão permanentemente
a nossa casa, no Lar que edificaremos sob as vistas de Deus.
E
haverá muita conversa, muito papo, muito entendimento,
a propósito de tudo.
Desde
as coisas mais sérias, às mais banais, porque
para nós tudo se revestirá de grande importância.
De
tudo partilharemos.
Um
grande amor, como será o nosso, será daqueles
que
permanentemente iluminam o coração, não se tornando
isolador.
Sendo
grande, fará questão de dividir-se, para ser
mais.
Não
será, o nosso amor, como o de Romeu e Julieta, ególatra:
triste, desesperançado, cheio de medo, prelúdio
de morte.
Não
andará furtivo, às ocultas, nem se fará escandaloso
esse amor, porque será, também, fraternal.
E
será ele atencioso, identificando os vazios, em torno.
Corações
outros, solitários ainda, estarão nos observando.
Será preciso
respeitá-los, ou não será, o nosso,
um amor grandioso, aquele que imaginamos que seja, e que
será realmente como imaginamos.
Sabe,
amor que é amor, tem siso.
Não
abre feridas nem agrava padecimentos.
Nele,
as coisas mais simples dão encantamento.
Cada
adormecer é prenúncio de despertar jubiloso.
E
sequer teremos pressa de encontrar o dia, porque nossos espíritos
estarão juntos no silêncio da noite, caminhando
de mãos dadas, prenunciando a grande viagem que um
dia faremos, ao país dos sonhos que não morrem
nunca.
Por
isso eu permaneço esperançoso e forte, não
me permitindo delirar.
Porque
o meu amor virá e precisa me encontrar bem.
Eu
sei que num belo dia, um dia desses, qualquer dia, estendendo-me
os braços, abrindo-me um sorriso lindo, e dizendo
-
Eu conheço você... finalmente!... – o
meu amor virá.
Assim,
como voltam os raios de sol, após uma longa noite
de inverno; no esplendor de um novo dia, magnificamente,
o meu amor virá...
Luan Jessan
Outono,
2004
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