
Experiência quase morte
É uma
coisa muito difícil de descrever. Nem imaginava que isso
pudesse acontecer. Tive uma morte momentânea e me senti
mais leve, com menos dor. Senti Muita paz. Também me vi
levantando do meu corpo. Voltei à vida, mas tive uma segunda
parada e de novo me senti saindo do meu corpo. Era uma
sensação menos nítida, acho que estava partindo mesmo.
Foi coisa de segundos. Mas parece que o tempo ficou parado.
Hoje vejo a vida por outra ótica. Meus valores mudaram
e aprecio as coisas mais simples - um gole de água, um
bejo de cada um da minha família. Tudo, tudo mudou.
Lars
Grael, Iatista que teve a perna direita amputada ao ser
atropelado por uma lancha

No
momento do acidente , eu me senti tragada por um 'túnel
de vento'. Fiquei frutuando no asfalto e vendo o carro
capotar num barranco. Outro carro parou e 3 homens sairam
dele. Um deles desceu o morro e disse: 'tem uma mulher
morta ali'. Era eu. Não tive nenhum choque ao ver o corpo
- apenas lamentei, em pensamento, o que tinha sofrido.
Fora do corpo, conseguia enxergar em todas direções ao
mesmo tempo. Então eu avistei 2 pessoas flutuando acima
do morro. Uma delas era muma mulher morena. A outra, a
silhueta de um homem alto, me pareceu conhecida - apesar
de ser transparente. A moça esticou o braço direito e disse,
sem mexer a boca: 'tenha calma; isso está na sua programação'.
Essa frase funcionou para mim como uma senha. Era como
se eu resgatasse toda a minha memória. Deslizei em direção
a dupla, mas lembrei que meu único filho de 12 anos estava
sozinho num chalé sem visinhos e sem telefone. Alguém precisava
resgatá-lo. Nesse mesmo instante, fui tragada de novo pelo
túnel e voltei a corpo. Daí senti uma dor horrivel. Foi
o único jeito de avisar a família sobre o acidente e resgatar
meu filho.
Maria Aparecida - radialista e professora universitária
em São Paulo

Percorri
os corredores do hospital. Parecia que estava flutuando,
como se não tivesse me corpo. Passei por várias portas
e via as pessoas, mas elas pareciam distantes. Tudo era
claro, muito claro! Vi uma luz muito forte que estava la
no fundo. Quando cheguei, era um lugar diferente de tudo
o que ja tinha visto. Era o céu, de alguma forma eu sabia.
Havia alguém me acompanhando, mas eu não sabia quem era.
Estava acima de outras pessoas, como em uma nuvem, quando
de repente vi meu pai, ja falecido. Fiquei feliz e disse
para ele: 'pai, traz uma escada que eu vou descer', mas
ele disse:'não, filha, você não pode!. E foi então que
eu acordei.
Inês
de Chagas Lima - Agente de saúde em Pindamonhangava -
SP

A
última coisa que ouvi foi o médico dizer: "fibrilou". Eu estava
morrendo e me ressuscitaram. Como se fosse um sonho, entrei
em um túnel escuro. Era uma sensação de prazer, de paz e de
bem estar que não tem explicação. Acho que só quem passou por
isso sabe do que estou falando. E, de repente, começei a ver
tudo de trás pra frente, como uma câmara de cinema num trilho.
Via faces em preto-e-branco na parede do túnel. Não eram rostos
de pessoas conhecidas. E o "trem" da câmera de cinema voltando
para trás em uma velocidade espetacular.
José
Carlos Ramos de Oliveira - Médico Cardiologista em São
Paulo - Sofreu uma parada cardíaca em 1989
Extraído
da Revista Super Interessante Agosto/2005
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