Em
memória à minha mãe
Maria Thereza de França Souza
*19/03/1925
+18/06/2005
A
primeira vez que vi esta imagem lembrei-me do amor
que minha mãe transmitia ao nos colocar para dormir.
Ela tinha uma maneira especial, ao ficar passando a mão
em nossas costas e levemente enrolar a camiseta de cima para
baixo e vice-versa. E assim pegávamos no sono.
Meu pai, Norival de Souza Pinto, foi o único amor de
sua vida.
Ao perdê-lo, aos 40 anos, ainda jovem, ela
abdicou da felicidade pessoal
e dedicou-se de corpo e alma
aos 8 filhos
(Jorge, Sebastião,
Vera Lúcia, Ubirajara, Guaraciara, Norival,
Judith e Luiz Carlos).
Éramos 9, Antônia, a mais
velha, perdeu aos 6 meses de idade de menigite.
Ela
nasceu em Sergipe, Aracajú. Veio de navio para o Rio
de Janeiro assim que estourou a Segunda Guerra Mundial. A família
temia
uma invasão dos Alemães pela área costeira
de Sergipe.
Contava muitas
histórias
de sua terra.
Sobre as lindas praias, cajueiros, coqueiros; sobre o parentesco
com o governador de Sergipe Dr. Eronides; sobre como os seus
avós
paternos perderam a vida e a fazenda durante a libertação
dos escravos; sobre a criação do seu pai, Antonio
Luiz de França
pelos padres
; sobre a altura de sua mãe, Clarinda
de França, uma
sertaneja alta, cuja avó (índia,tinha
sido capturada
a laço na mata pelos invasores franceses).
Enfim, dormíamos
ao toque de suas mãos e as histórias de sua terra
natal.
Apesar de pequena, como o Rei Davi, ela era gigante e destemida
em
seus propósitos e sonhos.
Ela
dava a vida pelos seus filhos e assim nos
deixou no sábado,dia 18/06/2005 as 04:00hs da madrugada,
após
48 dias internada no CTI do Hospital Geral Grajaú (OSEC)
- São Paulo.
Ela se foi, mas seus pequeninos olhos amendoados, neste
momento estão
sendo a janela da alma de outra pessoa, pois foram doados.
Nossa família
queria agradecer a forma humana como nossa mãe foi
tratada no hospital. Eu queria mencionar nomes, mas cairia
no erro
de esquecer algum. Mas de auxiliares, enfermeiros aos
médicos,
todos foram notáveis no tratamento e na maneira
como tentaram o possível e o impossível.
Durante os 48 dias, eu, meus irmãos
e meus sobrinhos nos revezamos
e nossa mãe não ficou um dia sequer sem visita.
Patrick,
meu sobrinho-neto, tivera um sonho em que ele e seus amiguinhos
iam ao hospital e tiravam a bisavó de lá. E
abaixo segue uma das últimas fotos de minha mãe,
no dia do seu aniversário em
19/03/2005 com Patrick seu bisneto.
Nossa
gratidão ao Hospital Geral do Grajaú
e
Universidade Santo Amaro (UNISA)
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"Deus
lhes guardem na palma de suas mãos"
Jorge
de França
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