Violência doméstica



 " Eu faço tudo direitinho, deixo a casa em ordem, ele me espanca. Se não fizesse nada disso, ele ia me espancar do mesmo jeito"; "Ele chegava do trabalho e vinha para cima de mim dizendo : abre as pernas. Eu dizia não e não. Ele dizia: Você vai abrir essas pernas e acabou . E como ele tinha mais força, ele acabava por me estuprar";

"Tive o pior marido do mundo, me violentava...tinha de ter relações sexuais com ele senão apanhava"; Acho que o pior maltrato é o verbal. A mulher se tranca por medo, vergonha. Mais vergonha do que medo; "A Mulher convive com as ofensas do corpo, gritos, é desvalorizada como fruta podre";

"Deve existir um serviço para atender as mulheres que se sentem dessa maneira. Isso deixa elas doentes";

Ele(pai) batia muito em mim e esssa violência cria na gente uma vontade acabar com o mundo. E a gente só não faz isso porque a gente é criança e não consegue. Mas quando a gente cresce, vira pessoa adulta, a gente se revolta;

"Do meu marido eu sempre apanhei; Minha mãe me pôs para fora de casa. Ela disse: pode ir para a rua, sua cadela ! Pode sumir. Minha mãe me levou para o hospital de mãe solteira e disse que eu era vizinha dela. Ela não disse que era minha mãe"; Tem dia que ela vai trabalhar com corpo todo roxo. Ela mente dizendo para todo mundo dizendo que se machucou sozinha. Eu pergunto: por que ela vive com ele? Ela era uma mulher bonita. Agora ninguém dá nada por ela"; "Meus sonhos foram cortados, foram tirados de mim."

As frases acima foram preferidas em reuniões com mulheres no Hospital Pérola Byington, em 1998, e publicadas em um relatório da União de mulheres de São Paulo.

Esses relatos não precisam de comentários, basta senti-los. São a base submersa do Iceberg cuja ponta aparente são algumas violências sexuais declaradas. Os agentes da violência não tem sido só os maridos. São irmãos, pais, tios , mães e até filhos.

As mulheres convivem com a violência pelo medo de perder os companheiros ou a guarda dos filhos e pela própria cultura da dominação que ainda prevalece no nosso país. As principais causas relatadas pelas mulheres são o uso de drogas, álcool, falta de diálogo, desemprego e a vivência da violência na infância. Pelos graves danos causados às mulheres é preciso entender a violência doméstica como um problema de saúde pública. Ela é de fato uma tortura física e psíquica contínua, destrói pouco a pouco a vítima, aniquilando-a socialmente.

Vamos nos unir, cada qual fazendo a sua parte, para diminuir esse mal que destrói a sociedade.

 


(Dr. José Aristodemo Pinotti)

 

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