
Cristianismo
Fundado
por Jesus de Nazaré, um judeu da Galiléia,
nascido quando Roma domina a Palestina e Augusto é o
imperador. Segundo a tradição, aos 30 anos Jesus
reúne discípulos e apóstolos e começa
anunciar a boa nova (o evangelho, em grego): a realização
das profecias sobre o Messias (Cristo, em grego) e a instauração
do reinado de Deus sobre o mundo a partir de Israel. Considerado
blasfemo, é submetido a um processo religioso e acusado
de conspirar contra César. É crucificado quando
Tibério é o imperador de Roma e Pôncio
Pilatos o procurador da Judéia. Cinqüenta dias
após sua morte, durante a festa de Pentecostes, os discípulos
anunciam que ele ressuscitara e os enviara a pregar por todo
o mundo a boa nova da salvação e do perdão
dos pecados. Esse é considerado o início da difusão
do Cristianismo.
Doutrina
cristã – A fé cristã professa
que o Deus revelado a Abraão, a Moisés e aos
profetas envia à Terra seu filho como messias salvador.
Ele nasce numa família comum, morre, ressuscita e envia
o espírito santificador (Espírito Santo) para
permanecer no mundo até o fim dos tempos. A mensagem
cristã se baseia no anúncio da ressurreição
de Cristo, na garantia de que a salvação é oferecida
a todos os homens de todos os tempos e na mensagem da fraternidade, à semelhança
do amor que o próprio Deus dedica a todos os homens.
Bíblia
cristã – A Bíblia é composta
pelo Antigo Testamento e pelo Novo Testamento. Este é formado
pelos quatro Evangelhos com relatos sobre a vida, mensagem
e milagres de Jesus, escritos entre 70 e 100 d.C. e atribuídos
aos discípulos Mateus, Marcos, Lucas e João;
o livro dos Atos dos apóstolos (enviados, em grego);
as cartas atribuídas a Paulo e a outros discípulos;
e o Apocalipse, que contém visões proféticas
sobre o fim dos tempos, o julgamento final e a volta de Jesus.
Apóstolos de Jesus – Simão Pedro, André,
Tiago (filho de Zebedeu), João, Felipe, Bartolomeu,
Tomé, Mateus, Tiago (filho de Alfeu), Judas Tadeu, Simão
Cananeu e Judas Iscariotes (depois substituído por Matias).
São escolhidos pelo próprio Jesus entre todos
os seus discípulos para divulgar o evangelho pelo mundo.
Expansão do cristianismo – Os discípulos
espalham-se pelas regiões do Mediterrâneo, inclusive
Roma, e fundam várias comunidades. Nos três primeiros
séculos, os cristãos sofrem grandes perseguições,
primeiro das autoridades religiosas do judaísmo e, a
partir do século 1º d.C., dos romanos. Durante
o reinado dos imperadores Nero, Trajano, Marco Aurélio,
Décio e Diocleciano, milhares de cristãos são
mortos por se recusarem a adorar os deuses do Império
e a reconhecer a divindade do imperador. Em 313 o imperador
Constantino converte-se ao cristianismo, que expande-se por
todo o Império. Até o século XI, duas
grandes tradições convivem no interior do cristianismo:
a latina, no Império Romano do Ocidente, com sede em
Roma, e a bizantina, no Império romano do Oriente, com
sede em Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul).
Em 1054, controvérsias teológicas, entre elas
a da doutrina da Santíssima Trindade, provocam a ruptura
entre as igrejas do Oriente e do Ocidente, que se excomungam
mutuamente. O ato só é anulado em 1965, em encontro
entre o patriarca oriental Atenágoras I e o papa Paulo
VI.
Igreja
cristã – Desde o início o cristianismo
organiza-se como igreja (do grego ekklesía, reunião),
sob a autoridade dos apóstolos e dos seus sucessores.
Estes nomeiam anciãos (presbíteros, em grego)
para dirigir as novas comunidades. Muito cedo surgem os grupos
de servidores (diáconos, em grego) para a assistência
aos pobres das comunidades. Aos poucos se estrutura uma hierarquia:
os reponsáveis pelas comunidades são os bispos
(do grego, episcopos, supervisor) auxiliados pelos presbíteros
e diáconos.
Festas
cristãs – As principais festas são
ligadas à vida de Jesus: os católicos celebram
o Natal, nascimento de Jesus (25 de dezembro) e os ortodoxos
celebram a Epifania, manifestação de Jesus a
todos os povos, relacionada com a visita dos Reis Magos (6
de janeiro). A Semana Santa inclui a celebração
da Eucaristia (5ª feira), a memória da morte de
Jesus (6ª feira) e a festa da ressurreição
ou Páscoa (domingo). O Pentecostes, celebrado 50 dias
após a Páscoa, comemora a vinda do Espírito
Santo. Corpus Christi ou festa do Corpo de Cristo, introduzida
no século XII, celebra a presença real de Jesus
na Eucaristia.
Cristianismo ortodoxo
Menos
rígido nas formulações dogmáticas,
valoriza a liturgia, não aceita uma centralização
excessiva e é mais flexível na concepção
da estrutura hierárquica da igreja. É porém
menos aberto ao diálogo com a filosofia e com as ciências
e mais rigoroso nas exigências morais. A partir da ruptura
com a igreja ocidental, passa a chamar-se Cristianismo ortodoxo
(em grego, reta opinião) e se afirma mais fiel à mensagem
cristã primitiva. Os ortodoxos se desenvolvem em torno
das quatro sedes antigas, chamadas de patriarcados: Jerusalém,
Alexandria, Antioquia e Constantinopla. Mais tarde, são
incorporados os patriarcados de Moscou (1589), de Bucareste
(1925) e da Bulgária (1953), além das igrejas
autônomas nacionais da Grécia, Sérvia,
Geórgia, Chipre e da América do Norte. As igrejas
ortodoxas reúnem mais de 170 milhões de fiéis
em todo o mundo.
Liturgia
do cristianismo ortodoxo – Os rituais da igreja
ortodoxa são cantados, mas não se usam instrumentos
musicais. Veneram-se os ícones e as relíquias
dos santos, mas são proibidas imagens esculpidas, exceto
o crucifixo. Os sacramentos pelos quais os fiéis entram
em comunhão com Deus e entre si são os mesmos
da Igreja Romana: o batismo, eucaristia, crisma (ou confirmação
da fé, dado junto com o batismo), a penitência
(ou confissão, dada antes da eucaristia), o matrimônio,
a ordenação sacerdotal e a unção
dos enfermos. Os sacramentos dados na Igreja Ortodoxa são
válidos na Romana, e vice-versa. Os sacerdotes podem
casar-se (antes da ordenação), mas não
os monges. Os bispos são escolhidos entre os sacerdotes
e monges celibatários.
Cristianismo ocidental
Desenvolve-se
em torno de Roma, reivindica o título
de católico (do grego, universal) e o primado sobre
as outras sedes do cristianismo, argumentando a primazia de
Pedro no grupo dos apóstolos. Da conversão de
Constantino no século IV até meados do século
XVI, a história do catolicismo está intimamente
associada à história do Império Romano
e dos reinos em que se divide. Sua expansão também
está vinculada à expansão da civilização
ocidental e ao processo de dominação e aculturação
de povos de outras culturas.
Organização da Igreja – A Igreja Católica
estrutura-se em regiões geográficas autônomas,
as dioceses, dirigidas pelos bispos, vinculados organicamente
ao bispo de Roma, o papa. Desde a Idade Média, os papas
são eleitos por um grupo de bispos, os cardeais. Atualmente
há cerca de 120 cardeais no mundo inteiro, e João
Paulo II é o 262º sucessor de Pedro, apóstolo
e primeiro papa.
Expansão
do cristianismo ocidental – Uma das
bases de expansão do catolicismo romano são os
mosteiros, comunidades de homens ou de mulheres dedicados inteiramente à oração
e ao trabalho e, a partir do século XIII, os conventos
de frades e freiras. No período das grandes navegações
e descobrimentos, após o século XV, as ordens
monásticas e religiosas exercem papel decisivo na difusão
do catolicismo na Ásia e nas Américas. Calcula-se
em 900 milhões o número de católicos no mundo
inteiro.
Liturgia
do cristianismo ocidental – Por séculos,
o latim é a língua usada para as celebrações
litúrgicas. Após o II Concílio do Vaticano
(1962-1965) é permitido o uso das línguas locais.
Além do canto, a liturgia inclui instrumentos musicais.
Os sacramentos são os mesmos da igreja ortodoxa, mas
a crisma e a penitência são ministrados separadamente
do batismo e da eucaristia. O casamento de sacerdotes é proibido
desde a Idade Média. As mulheres não são
admitidas ao sacerdócio ordenado (na Igreja Ortodoxa
também não).
Reforma
No século XVI surge entre os católicos um movimento
que reivindica a reaproximação da Igreja do espírito
do cristianismo primitivo. A resistência da hierarquia
da Igreja leva os reformadores a constituírem confissões
independentes. Os principais reformadores são Martinho
Lutero e João Calvino, no século XVI. A Reforma
difunde-se rapidamente na Alemanha, Suíça, França,
Holanda, Escócia e Escandinávia. No século
XVI surge a Igreja Anglicana e, a partir do século XVII,
as igrejas Batista, Metodista e Adventista. As igrejas nascidas
da Reforma reúnem cerca de 450 milhões de fiéis
em todo o mundo.
Doutrinas
dos reformadores – Os pontos centrais da doutrina
de Lutero são a justificação de Deus só pela
fé e o acesso ao sacerdócio para todos os fiéis.
Calvino acrescenta a doutrina da predestinação
dos fiéis. As diferenças doutrinais entre os
dois dão origem a duas grandes correntes: os luteranos
e os calvinistas. A Reforma abole a hierarquia e institui os
pastores como ministros das igrejas. As mulheres têm
acesso ao ministério e os pastores podem se casar. A
liturgia é simplificada e os sacramentos praticados
são o batismo e a ceia.
Martinho
Lutero (1483-1546) nasce em Eisleben, Alemanha,
numa família camponesa. Em 1501 ingressa na Universidade
de Erfurt, onde estuda artes, lógica, retórica,
física e filosofia e especializa-se em matemática,
metafísica e ética. Entra para o mosteiro dos
eremitas agostinianos de Erfurt em 1505, torna-se sacerdote
e teólogo. Denuncia as deformações da
vida eclesiástica em 1517. Acusado de herege, é excomungado
pelo papa Leão X e banido por Carlos V, imperador da
Alemanha, em 1521. Escondido no castelo de Wartburg e apoiado
por setores da nobreza, traduz para o alemão o Novo
Testamento. Abandona o hábito de monge e casa-se com
a ex-freira Catarina von Bora, em 1525.
João
Calvino (1509-1564) nasce em Noyon, França,
filho de um secretário do bispado de Noyon. Em 1523
ingressa na Universidade de Paris, estuda latim, filosofia
e dialética. Forma-se em direito e, em 1532, publica
Dois livros sobre a clemência ao imperador Nero, obra
que assinala sua adesão à Reforma. Em 1535, já é considerado
chefe do protestantismo francês. Perseguido pelas autoridades
católicas refugia-se em Genebra. Organiza uma nova igreja,
com pastores eleitos pelo povo, e o Colégio Genebra,
que se torna um dos centros universitários mais famosos
da Europa.
Reforma
na Inglaterra – Começa em 1534 com o
rompimento do rei da Inglaterra, Henrique VIII, com a Igreja
Católica. O rei passa a ser o chefe supremo da Igreja
Anglicana ou Episcopal e o seu líder espiritual é o
arcebispo de Canterbury. Da Inglaterra, difunde-se para as
colônias, especialmente na América do Norte. As
igrejas Católica e Anglicana são semelhantes
quanto à profissão de fé, a liturgia e
os sacramentos, mas a igreja episcopal não reconhece
a autoridade do papa e admite mulheres como sacerdotes. A primeira
mulher a exercer o ministério episcopal é a reverenda
Barbara Harris, da diocese de Massachusetts (EUA), consagrada
em 1989.
Pentecostalismo – Surge
em 1906 no interior das igrejas reformadas dos EUA e difunde-se
rapidamente pelos países
do Terceiro Mundo. Os primeiros missionários do pentecostalismo
chegam ao Brasil em 1910 erapidamente conquistam grande número
de fiéis. As igrejas pentecostais são as que
mais crescem na América Latina. Dão ênfase à pregação
do Evangelho, às orações coletivas, feitas
em voz alta por todos os fiéis; aos rituais de exorcismos
e de curas, realizados em grandes concentrações
públicas. A seita mais difundida no Brasil é a
Igreja Universal do Reino de Deus.
Referências bibliográficas
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SMITH, Huston. As religiões do mundo: nossas grandes
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