Falta
pão ou falta amor ?
Aparentemente
, há pouco pão para
repartir e gente demais para saciar.
Só aparentemente, porque, se fosse repartido com amor
e justiça, o pão
não faltaria para ninguem.
Para
Jesus, portanto, o eterno problema da vida não é a
falta de pão.
O
verdadeiro problema são as causas que geram a falta
do pão na mesa da
grande maioria.
Em
termos mais concretos, o que se discute e se lamenta não é a
ausencia
do pão e sim a presença do egoísmo, do individualismo,
da ganância e, acima
de tudo, a total ausência do amor fraterno.
Quer
dizer que de um lado o pão falta porque do outro
lado há acumulação.
De um lado há quem passe fome porque do outro lado há quem
morra de indigestão.
De
um lado há pobres porque do outro lado há quem
queira levar vantagem em tudo.
De um lado hã quem fique pedindo esmola porque do outro
lado há quem se aproprie
dos bens comunitários.
Então a desculpa de que "só temos cinco pães
e dois peixes" já não se pode aceitar.
Porque, de fato, possuímos mais do que precisamos;
a
natureza e a ciência estão sempre
a cumular-nos de todo tipo de riqueza.
Bastaria que fôssemos
menos egoístas e mais altruístas.
Nem
a desculpa de que não sabemos fazer milagres é procedente.
Quem disse que precisamos resolver nossos problemas com base
em milagres?
Jesus não nos ensinou a arte de fazer milagres. Ensinou-nos,
sim, a fazer tudo o que é
essencial: pôr em comum o que temos e reparti-lo entre
todos.
Os
irmãos castigados pelo flagelo da miséria e
da fome, da doença e da violência não
podem consolar-se com nossas desculpas de que não somos
especialistas em milagres.
Eles
nos cobram, e devem combrar-nos, um pouco de justiça,
solidariedade e amor.
Padre
Virgílio, ssp
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